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26 de janeiro de 2018

A atuação em Relações Governamentais exige cada vez mais uma construção de discursos que sensibilizam.

O discurso como instrumento de sensibilização

A atuação em Relações Governamentais exige cada vez mais uma construção de discursos que sensibilizam. Para tanto é necessário considerar a maneira pela qual a linguagem do discurso será estruturada para advir a identificação.

A atuação em Relações Governamentais exige cada vez mais uma construção de discursos que sensibilizam.

A atuação em Relações Governamentais exige cada vez mais uma construção de discursos que sensibilizam. Para tanto é necessário considerar a maneira pela qual a linguagem do discurso será estruturada para advir a identificação (1).

Considerando o discurso como “um laço social que não se reduz à soma das suas falas individuais, mas uma espécie de condição de possibilidade para um conjunto de enunciados possíveis” (2), aquele grupo ou setor que for capaz de representar com mais clareza a sua causa (o que lhes falta) e adaptar a mensagem de modo a criar tanto para a opinião pública como para o tomador de decisão uma identificação, tende a ter mais sucesso no trabalho de sensibilização.

A incidência sobre a opinião pública de certa forma acaba por influenciar o posicionamento dos tomadores de decisão tem se mostrado como ponto nodal do conjunto de estratégias de sensibilização.  Nesse sentido é muito importante a forma que um grupo ou setor irá comunicar a sua causa. É evidente, portanto, que o papel daquele que atua em relações governamentais é auxiliar essa comunicação e a construção das pautas porque “até que uma questão seja refletida no ecossistema comunicativo, ela possui nula ou escassa existência social ou política” (3).

O discurso construído de um grupo ou setor visa obter maior grau de sensibilização da opinião pública e dos tomadores de decisão por meio da identificação com a causa às reivindicações políticas. Logo, busca-se desenvolver a aderência à pauta não apenas da sociedade, mas também dos tomadores de decisão. Nesse sentido vale destacar que “[...], todo meio de expressão aceito numa sociedade repousa em princípio num hábito coletivo ou, que vem a dar na mesma, na convenção” (4).

A estratégia de relações governamentais deve, portanto, utilizar os meios de comunicação como ferramenta sine qua non para a circulação do discurso por diversas razões: i) dar conhecimento da causa ante a coletividade social, por ser essencial ocupar um espaço em virtude da existência de múltiplos grupos sociais; ii) deixar claro a própria causa, de maneira favorável, para facilitar a diferenciação com outros grupos frente à percepção individual; iii) modificar hábitos e condutas sociais como função primordial da educação do público em relação à tese defendida; iv) criar, manter e impulsionar a imagem favorável do grupo ou setor, com o propósito de aumentar o número de simpatizantes; v) sensibilizar a população sobre as questões consideradas mais relevantes e interessantes para o grupo ou setor.

Portanto, as múltiplas formas de atuação sobre os meios de comunicação e a impossibilidade de alcançar todas, torna imprescindível a existência de planos de atuação (estratégias), com o estabelecimento de objetivos a curto, médio e longo prazo; e de ações concretas que permitam, de maneira organizada e sequencial a realização dos objetivos fixados como meta. E, pela minha experiência, a estratégia de comunicação de um grupo ou setor não deve prescindir um alinhamento com uma estratégia de relações governamentais.

Notas e referências bibliográficas:

(1) Identificação no sentido de se abandonar o ideal do eu (da pessoa) em substituição ao ideal do grupo. Ou seja, identificação da pessoa com o discurso do grupo no sentido de apoiar a causa.
(2) DUNKER, Christian Ingo Lenz. Análise psicanalítica dos Discursos: perspectivas lacanianas. 2a. ed – São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2016.
(3) CASTILHO ESPARCIA, Antonio. Lobby & Comunicação: lobismo como estratégia comunicativa. São Caetano do Sul, SP: Difusão Editora, 2013, p. 91
(4) SAUSSURE, Ferdinand. Curso de Linguística Geral. 28.ed – São Paulo: Cultrix, 2012, p. 108